Como criar atalhos da Microsoft Store no Windows 11

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Como criar atalhos da Microsoft Store no Windows 11

O Dilema do Desktop: Retomando o Controle dos Atalhos no Windows 11

Existe uma sensação curiosa e um tanto frustrante que acompanha o uso do Windows 11. Por um lado, temos um sistema visualmente polido, com bordas arredondadas e transparências elegantes. Por outro, parece que, a cada atualização, nos tornamos menos "donos" e mais "usuários" no sentido restritivo da palavra.

Se você já tentou simplesmente colocar um ícone do Netflix, do WhatsApp ou de qualquer aplicativo moderno da Microsoft Store na sua área de trabalho, sabe do que estou falando. O que antes era um simples "arrastar e soltar" de um arquivo executável, hoje se tornou um jogo de esconde-esconde.

A Microsoft, na tentativa de criar um ecossistema mais seguro e parecido com os smartphones, encapsulou esses aplicativos. Eles não são mais arquivos soltos; são "pacotes". E isso quebra uma das tradições mais antigas da computação pessoal: a liberdade de organizar nossa bagunça digital exatamente onde queremos.

Hoje, não quero apenas ensinar você a criar um atalho. Quero conversar sobre como retomar o controle do seu espaço de trabalho e mostrar que, por trás da interface bonita, o Windows ainda permite que você dite as regras se souber onde procurar.

A "Caixa Preta" dos Aplicativos Modernos

Para entender o problema, precisamos olhar para os bastidores. Antigamente, você instalava um programa e sabia exatamente onde ele morava: geralmente em C:\Arquivos de Programas. Você podia ver o arquivo .exe, tocar nele, criar atalhos.

Os aplicativos da Microsoft Store (antes chamados de UWP) vivem em uma pasta protegida chamada WindowsApps. É uma espécie de cofre. O sistema operacional trata esses apps como inquilinos VIPs que não gostam de ser incomodados. É por isso que o clique com o botão direito muitas vezes não mostra a opção "Enviar para Área de Trabalho".

Essa camada de abstração é ótima para segurança, evita que vírus corrompam executáveis facilmente mas é péssima para quem gosta de produtividade personalizada. Mas, felizmente, o Windows manteve algumas portas dos fundos abertas para os veteranos.

Método 1: A Simplicidade do "Arrastar" (Quando Funciona)

Vamos começar pelo óbvio, porque às vezes a solução mais simples é a que ignoramos por acharmos que o problema é complexo demais. O Menu Iniciar do Windows 11 mudou drasticamente, mas ele ainda retém algumas funções "legacy".

Se você abrir o Menu Iniciar e for em "Todos os aplicativos", você verá a lista completa. A lógica humana nos diz para clicar com o botão direito e procurar "Criar Atalho", certo? Mas a opção não está lá. A Microsoft removeu isso do menu de contexto.

O truque aqui é puramente gestual: clique no ícone do aplicativo dentro do menu e arraste-o fisicamente para o papel de parede da sua Área de Trabalho. Solte-o lá. Na maioria das vezes, o sistema entenderá a dica e criará um link (atalho) automaticamente.

No entanto, isso falha às vezes. Alguns apps do sistema ou widgets teimosos se recusam a serem arrastados, ou o sistema exibe aquele sinal de "proibido" durante o arraste. É aí que precisamos ser um pouco mais técnicos.

Método 2: A Pasta Secreta (shell:appsfolder)

Aqui está o verdadeiro "pulo do gato" que separa o usuário comum do power user. O Windows possui pastas especiais de sistema acessíveis apenas via comandos de shell. Existe uma pasta oculta onde todos os seus aplicativos, tanto os clássicos quanto os modernos da Store convivem em harmonia.

Para acessá-la, vamos usar um atalho de teclado que todo entusiasta deve ter na memória muscular: Windows + R. Isso abre a caixa de diálogo "Executar".

Digite exatamente este comando e pressione Enter: shell:appsfolder

O que se abre diante de você é uma janela do Explorador de Arquivos que parece comum, mas não é. Ela é uma visualização unificada de tudo o que está instalado na sua máquina. Não há pastas, subpastas ou arquivos de configuração; apenas os executáveis puros.

A beleza deste lugar é que ele restaura o comportamento antigo do Windows. Aqui, você pode encontrar o aplicativo "Fotos", o "Spotify" ou o "Calculadora", clicar com o botão direito e finalmente ver a opção "Criar atalho".

O Windows provavelmente dirá: "Não é possível criar um atalho aqui. Deseja colocá-lo na Área de Trabalho?". Responda "Sim" com um sorriso no rosto. Você acabou de contornar a burocracia do sistema.

"O computador deve obedecer ao seu fluxo de trabalho, e não o contrário. Saber onde encontrar essas pastas ocultas é como ter a chave mestra da sua própria casa digital."

Por que isso é importante para a sua produtividade?

Talvez você esteja se perguntando: "Tanto trabalho só por um ícone?". Mas a questão não é o ícone em si. É sobre atrito. A produtividade moderna é uma batalha constante contra micro-atrasos.

Quando você precisa abrir o Bloco de Notas ou o Terminal rapidamente, ter que navegar pelo Menu Iniciar, digitar a busca e esperar a indexação (que às vezes falha) quebra seu raciocínio. Ter o atalho físico permite que você o coloque em uma dock personalizada, associe-o a um macro do teclado ou use softwares de organização como o Fences.

Além disso, muitos de nós usamos dispositivos como o Stream Deck ou teclados programáveis. Esses hardwares precisam do caminho físico do arquivo (o atalho .lnk) para funcionar. Sem criar esse atalho manualmente via shell:appsfolder, você não consegue programar um botão físico para abrir seu app de música favorito da Store.

Uma Reflexão sobre o Futuro do Windows

Observar essa dificuldade para realizar uma tarefa trivial nos diz muito sobre o design de software atual. Estamos caminhando para um futuro onde o sistema operacional tenta "esconder" a complexidade, assumindo que o usuário não quer lidar com arquivos.

Isso é ótimo para a minha avó, que acidentalmente deletava pastas do sistema. Mas para profissionais, criadores e estudantes que usam o PC como uma ferramenta de alta performance, essa infantilização da interface é um obstáculo.

Ao aprender esses comandos, como o shell:appsfolder, você não está apenas criando um atalho. Você está exercendo um pequeno ato de rebeldia digital. Você está dizendo ao sistema: "Eu sei o que estou fazendo".

Conclusão: Organize o Caos

Agora que você tem seus atalhos na Área de Trabalho, o perigo é transformar seu monitor em um campo de guerra de ícones. A liberdade exige responsabilidade.

Minha sugestão final é: use esse poder com moderação. Crie atalhos apenas para as ferramentas que você usa diariamente e que o Windows teima em esconder. Mantenha sua área de trabalho limpa, pois um ambiente visualmente calmo ajuda a manter a mente organizada.

O Windows 11 é uma ferramenta poderosa, mas ele precisa ser domesticado. E agora, com seus atalhos devidamente criados e posicionados onde você decidiu, a máquina volta a trabalhar para você, e não o contrário.

Experimente agora: Pressione Windows + R, digite o comando mágico e liberte aquele aplicativo que você usa todo dia das garras do Menu Iniciar. A sensação de controle é pequena, mas gratificante.

Referências e Leitura Técnica: Para entender mais sobre como o Windows gerencia pacotes de aplicativos e URIs, a documentação oficial da Microsoft Learn é a fonte definitiva, embora densa.

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